Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

40 anos de Pasquim

Neste 26 de junho, 40 anos terão se passado desde que a primeira edição do Pasquim chegou às bancas de jornais. O tablóide surgiu seis meses depois da promulgação do AI- 5 e durou até 1991. Com nomes como Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Ziraldo, Millôr, Claudius, a publicação marcou época pelas suas entrevistas, seus ensaios e pelo humor ora sutil, ora escrachado.

“Quando Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) morreu, há cinco anos (30 de dezembro de 1968), abriu-se um vazio tão grande numa área do jornalismo de crítica e de humor que até hoje nas enquetes, quando se faz aquela pergunta – quem morreu e quem merecia estar vivo? – a resposta é quase sempre Sérgio Porto. O Pasquim surgiu dentro deste vazio, menos de um ano depois de sua morte, e imediatamente o escolhemos para patrono”, escreveu Sérgio Cabral em outubro de 1973, na edição nº222 de O Pasquim.

Existem várias versões de como foi dado e quem deu o pontapé inicial para o começo do Pasquim. Sabe-se com certeza, apenas, que queriam substituir o tablóide humorístico Carapuça, que havia acabado com a morte de Sérgio Porto. Na época, os nomes que formariam o Pasquim trabalhavam em diversos outros veículos. Jaguar era cartunista na revista Senhor, que era de jornalismo cultural, e Millôr havia lançado o tablóide humorístico Pif Paf, que durou só oito edições.

“Todas essas pessoas (envolvidas com o Pasquim) queriam uma publicação de humor e maior espaço editorial”, conta o jornalista e cartunista Arnaldo Branco, que acompanha o jornal desde criança, quando lia as charges da Graúna, do Henfil. “O Pasquim foi um jornal feito bem em cima da proibição pesada da ditadura. Antes do ato institucional, ainda havia esperança de recrudescimento. Eles queriam fazer um jornal para meter pau na ditadura e a coisa deu certa, pois em menos de seis meses estavam vendendo 200 mil exemplares”, diz.

O nome, que significa jornal difamador, foi sugestão de Jaguar. “Terão de inventar outros nomes para nos xingar”, dizia o cartunista na época. O Pasquim se esforçou para honrar o seu nome, mas ele não era só tiração de sarro. Havia ensaios e entrevistas com figuras públicas da época. O jornal inventou uma nova forma de entrevista, que antes era na base do copydesk. Isso ocorreu logo na primeira edição, quando Jaguar entrevistou Ibraim Sued. “As entrevistas eram sensacionais. Eles provocavam os entrevistados, eram afiados. Na verdade, era mais uma conversa que uma entrevista”, conta Branco. O Decreto Leila Diniz, que instalou a censura prévia à imprensa, foi criado por causa de uma desbocada entrevista do Pasquim com a atriz.

Em novembro de 1970 a redação inteira foi presa por causa de uma charge que satirizava o quadro de Pedro Américo, O Grito do Ipiranga. Ficaram dois meses presos. Muitos sustos e histórias para contar depois, estavam soltos. Os militares, que esperavam que o jornal saísse de circulação, foram pegos de surpresa quando vários colaboradores, como Glauber Rocha, passaram a ajudar na recriação do tablóide.

As prisões continuariam nos anos seguintes. Os militares então apelaram e passaram explodir bancas que vendiam o Pasquim. Vários jornaleiros desistiram de vender o tablóide. O jornal perdeu sua força, mas sobreviveu à abertura política de 1985. A última edição foi publicada em 11 de novembro de 1991. Dos membros originais, Jaguar era o único que ainda se mantinha à frente do jornal.

Para comemorar as quatro décadas do jornal, a editora Desiderata está lançando o terceiro volume da Antologia do Pasquim, que engloba os anos 1973 e 1974 e uma edição comemorativa com 40 capas antológicas do tablóide e que reúne textos inéditos de Millôr Fernandes, Chico Caruso, Jaguar e Sérgio Augusto.

No período compilado pelo terceiro volume da antologia, Millôr Fernandes ocupava o cargo de editor, Henfil era o editor-executivo, enquanto Ziraldo e Jaguar respondiam pela área gráfica e edição de arte. Ivan Lessa e Sérgio Augusto imprimiam o estilo peculiar ao texto final, que mesclava erudição, ironia e bom-humor. Paulo Francis – radicado em Nova York – mandava seus originais pelo malote da Varig. E todos driblavam à sua maneira os olhos da censura prévia.

“O que levou a ter uma geração tão boa de humoristas? Talvez a formação escolar melhor, a revolução sexual da época. O Pasquim era um grande improviso de uma gente que passou a vida inteira ensaiando, misturando formação erudita e a formação de bar. Eles tiraram a gravata do jornalismo”, conclui Branco.

* Matéria publicada no dia 19 de junho de 2009, no Jornal do Commercio. Veja o PDF da matéria, com um layout foda, aqui.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

A formação musical de Cartola (ou Cartola: Ano um)

O sambista Cartola é considerado, com razão, como um dos grandes nomes da música popular brasileira. Muitos músicos, pesquisadores e entusiastas apontam a sua origem humilde e seu propalado semi-analfabetismo como forma de enaltecer sua obra musical. Outros estão contentes em dizer simplesmente que Cartola era um gênio. Dessa forma, acabam ignorando toda a trajetória de sua formação musical.

De acordo com o livro, “Cartola, dos Tempos Idos”, da pesquisadora Marília Trindade Barboza, Angenor de Oliveira, o Cartola, esteve em contato com a música e com o samba em suas várias formas desde criança, o que explicaria o talento do sambista.

“O micróbio do samba me foi injetado pelo velho (seu avô, Luís Cipriano Gomes). Eu era muito garoto quando saía com toda a família no Rancho dos Arrepiados. E com minha voz, que era boa, cheguei à ala do Satanás. Saímos eu, papai, que tocava cavaquinho profissionalmente no bando, minha mãe e meus irmãos”, disse Cartola, em 1977, ao jornalista Ronaldo Bôscoli, para a revista Manchete.

Ranchos eram parte da tradição carnavalesca do início do século XX. Essas agremiações eram cortejos descendentes das Folias de Reis, e foram bastante influenciados por festividades negras, como os Cucumbis e Congos, e por tradições musicais populares portuguesas. Nos ranchos, tocavam-se instrumentos de sopro e corda, não havendo instrumentos de percussão.

Foi nessa época, que Cartola começou sozinho a aprender a tocar cavaquinho. Ele aproveitava os momentos que seu pai, Sebastião, saia pra ficar mexendo no instrumento, procurando repetir o que ele e os instrumentistas do Rancho dos Arrepiados faziam.

Quando o avô de Cartola morreu, sua vida mudou radicalmente. Luís Cipriano Gomes era cozinheiro de Nilo Peçanha, o ex-presidente do Brasil, e quem praticamente sustentava a família. Com a morte do patriarca, tiveram todos que se mudar do conforto de Laranjeiras para o morro da Mangueira, que, segundo Cartola, “não devia ter mais de 50 barracos na época”.

No morro, o carpinteiro Sebastião fez Cartola começar a trabalhar, para ajudar com as despesas em casa. Este, arredio que era, não durava muito nos empregos e aproveitava esses períodos de folga para freqüentar as “bocas” da Mangueira, que eram casas onde se faziam as batucadas (danças e jongos para cultuar deuses afro-brasileiros).

Cartola deu o seguinte depoimento para O Globo, em 1972: “Samba duro e batucada é a mesma coisa. A gente fazia isso a qualquer hora, em qualquer dia. Juntavam umas vinte pessoas – homens e mulheres – e a gente começava a cantar. Apenas uma linha ou duas do coro e os versos improvisados. Isso é que é partido alto. Os únicos instrumentos eram o pandeiro, o violão e o prato e a faca (prato de comer e faca de cortar carne; a faca raspa o prato) e no coro as mulheres batiam palmas. Aí um – o que versava – ficava no meio da roda e tirava um outro qualquer. Aí dançando e gingando, mandava a perna. O outro que se virasse para não cair”.

Quando Cartola tinha 18 anos sua mãe, Dona Aída, morreu. Sendo ela que acalmava os ânimos de Sebastião em relação ao filho, o malandro logo foi expulso de casa pelo pai. Quando voltou para casa, Cartola descobriu que o pai havia abandonado a Mangueira, deixando um recado ao filho: “Vou-me embora deste morro, mas deixo aqui um Oliveira para fazer vergonha”.

O sambista então arranjou um barraco próprio e caiu na vida. Depois de alguns meses freqüentando a zona do meretrício, sem se alimentar direito, Cartola logo ficou doente. Dona Deolinda, vizinha de barraco, passou a cuidar dele, quase como uma mãe. Passado pouco tempo, ela se afeiçoou tanto a ele que abandonou o marido pra viver com Cartola.

Ao se recuperar, ele voltou a exercer a profissão de pedreiro, que começara a praticar quando tinha 15 anos. Nas horas de folga trabalhava como compositor e violonista nos bares locais, ao lado do amigo Carlos Cachaça e Gradim.

* continua num próximo post.

Domingo, 14 de Junho de 2009

o velho contador de histórias



Old Story Teller: And a Man sat alone, drenched deep in sadness. And all the animals drew near to him and said, "We do not like to see you so sad. Ask us for whatever you wish and you shall have it." The Man said, "I want to have good sight." The vulture replied, "You shall have mine." The Man said, "I want to be strong." The jaguar said, "You shall be strong like me." Then the Man said, "I long to know the secrets of the earth." The serpent replied, "I will show them to you." And so it went with all the animals. And when the Man had all the gifts that they could give, he left. Then the owl said to the other animals, "Now the Man knows much, he'll be able to do many things. Suddenly I am afraid." The deer said, "The Man has all that he needs. Now his sadness will stop." But the owl replied, "No. I saw a hole in the Man, deep like a hunger he will never fill. It is what makes him sad and what makes him want. He will go on taking and taking, until one day the World will say, 'I am no more and I have nothing left to give.'"

Dagofest

Esse post foi criada pra levar música boa pros preguiçosos e desinformados, tipo eu. A escalação? Foi escolhida pelo Dago. Dá uma conferida: apanhador só, are you god?, artificial, autoramas, bad folks, banalizando, bois de gerião, bonsucesso samba clube, caio marques, canastra, casa flutuante, chambaril, cidadão instigado, colorir, comma, constantina, contra fluxo, curumim, cérebro eletrônico, debate, deize tigrona, do amor, eddie, elma, fóssil, garotas suecas, grenade, gui boratto, guizado, haxixins, holger, hurtmold, josé makes machine, jumbo elektro, lavajato, lavoura, lucas santtana, lulina, m.takara, macaco bong, mamelo sound system, memorando, mezatrio, mombojó, mqn, mr. hendrik & the flamboyants, móveis coloniais de acaju, nancy, nervoso, orquestra contemporânea de olinda, parteum / mzuri sana, pelvs, radiola santa rosa, rua de baixo, rômulo fróes, sany pitbull, siba e a fuloresta, slim rimografia, stephanie toth, supercordas, superguidis, telepatas, the name, tony da gatorra, tony da gatorra 3G, toró, totonho e os cabra, turbo trio, twelves, vamoz, wado, wandula, zefirina bomba, zeroum, z’africa brasil, índios eletrônicos.